14 de jan. de 2026
Goldman Sachs projeta 2026 sólido para bancos brasileiros e destaca ações preferidas
Após forte desempenho em 2025, o Goldman Sachs vê os bancos da América Latina bem posicionados para mais um ano sólido em 2026, com destaque para os bancos brasileiros, considerados de maior qualidade e negociados a valuations razoáveis. Entre as preferências do banco estão NU (BDR: ROXO34), BTG (BPAC11), Inter (INBR32) e Itaú (ITUB4).
Ainda assim, o setor terá de navegar por diversos ciclos eleitorais, além de cortes esperados nas taxas de juros na maioria dos países (com exceção da Colômbia), em um ambiente de crescimento moderado e avanços mistos na inflação.
Para os analistas, os bancos brasileiros devem iniciar o ano com um quadro relativamente equilibrado, combinando crescimento do crédito e estabilidade na qualidade dos ativos. A expectativa é de uma expansão moderada a sólida da carteira, em patamar de um dígito alto, apoiada por um mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e pela introdução de novas modalidades de crédito, como o consignado privado.
Mesmo com a taxa Selic ainda em nível restritivo, a avaliação é de que a qualidade dos ativos do sistema financeiro tende a permanecer amplamente estável.
No campo regulatório, o foco segue na resolução da situação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a liquidação do Banco Master, além do avanço da agenda de inovação, com destaque para a portabilidade de crédito dentro do Open Finance. O banco também observa que estímulos fiscais devem impulsionar a renda das famílias e o crescimento do crédito à medida que o país se aproxima das eleições gerais no segundo semestre de 2026.
Para 2026, o Goldman projeta crescimento do crédito próximo a 9,5% em termos anuais, com riscos moderados para a inadimplência. Mesmo com a Selic elevada no início do ano, a qualidade dos ativos deve se manter relativamente estável, dada a defasagem histórica entre mudanças nos juros e o comportamento da inadimplência. Embora os NPLs possam subir marginalmente, já há sinais de estabilização, apesar do elevado endividamento das famílias.
Banco do Brasil (BBAS3)
O Goldman Sachs manteve recomendação neutra para o Banco do Brasil, preço-alvo elevado para R$ 22, avaliando que o cenário para 2026 segue cercado de incertezas, especialmente em função do crédito rural. A inadimplência do segmento atingiu 6,5% em novembro, ante 2,3% no quarto trimestre de 2024, elevando o risco de aumento das provisões. A carteira rural renegociada soma R$ 73 bilhões, cerca de 6% do total de crédito do banco.
Embora a Medida Provisória 1.314 – para renegociação de dívidas rurais – possa trazer algum alívio, com potencial de reestruturação de até R$ 24 bilhões, o banco ainda vê incerteza sobre a efetividade dessas renegociações na recuperação dos créditos. O Goldman também destaca efeitos secundários do crédito rural sobre outros segmentos, já que clientes do agronegócio responderam por cerca de 40% da deterioração da inadimplência no varejo até o terceiro trimestre de 2025.
Para 2026, o Goldman projeta crescimento de lucro de 35%, após uma queda de 51% em 2025, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) estimado em 12,9%. Apesar do valuation atrativo — 5,1 vezes P/L (Preço sobre Lucro) e 0,7 vez P/VPA (Preço sobre Valor Patrimonial) para 2026 —, o banco avalia que o desconto dificilmente será fechado no curto prazo, dada a fragilidade na qualidade dos ativos.
Bradesco (BBDC4)
O Goldman manteve recomendação neutra para o Bradesco, destacando que o adiamento do ciclo de cortes de juros pode postergar a recuperação do crédito no varejo, segmento no qual o banco tem maior exposição. Ainda assim, a expansão da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) pode impulsionar o consumo no início do ano, embora também favoreça concorrentes digitais.
O banco projeta crescimento da carteira de crédito em patamar de um dígito alto em 2026. A avaliação é que os riscos de deterioração da qualidade dos ativos diminuíram, refletindo maior peso de crédito com garantias, especialmente em pequenas e médias empresas. A inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 4,1%, e o custo do risco deve convergir para a média histórica.
O principal ponto de atenção segue sendo o capital, com índice CET1 em 11,4%, próximo ao piso operacional. O Goldman vê a agenda de eficiência como um catalisador de médio prazo, embora ainda abaixo das metas divulgadas pelo banco. O preço-alvo foi elevado para R$ 19, com potencial de alta de cerca de 1%.
Itaú Unibanco (ITUB4)
O Goldman reiterou recomendação de compra para o Itaú, pois o banco está bem posicionado para atravessar diferentes ciclos econômicos, apoiado em sua liderança em segmentos de maior resiliência, como alta renda, private banking e investment banking.
Analistas também destacam a capacidade do Itaú de responder à concorrência, com iniciativas como a expansão da Rede e da plataforma íon.
A projeção é de ROE de 26% em 2026, com dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) estimado em 8%. O Goldman espera que a forte geração de capital continue sustentando retornos elevados aos acionistas. O preço-alvo foi elevado para R$ 46, implicando potencial de alta de cerca de 15%, mesmo com o papel negociando a múltiplos superiores aos pares.
Santander Brasil (SANB11)
O Goldman manteve recomendação de venda para o Santander Brasil, projetando crescimento da carteira de crédito de 5,6% em 2026, abaixo da média do sistema. A postura mais conservadora na concessão de crédito limita riscos de inadimplência, mas também restringe a expansão de receitas.
O banco projeta crescimento de lucro de 10% em 2026, com ROE de 17,2%, ainda distante da meta de 20%. Apesar do valuation relativamente equilibrado, o Goldman vê pouco espaço para re-rating no curto prazo. O preço-alvo foi elevado para R$ 29, mas a recomendação segue negativa.
Banco Inter (INBR32)
O Goldman manteve recomendação de compra para o Banco Inter, apesar de cortar em 5% a estimativa de lucro para 2026, para R$ 1,9 bilhão. O banco projeta crescimento de crédito de 27% no ano, impulsionado por cartões, desconto de recebíveis e, principalmente, pelo consignado privado.
Mesmo com custo de risco ainda elevado, o Goldman projeta forte crescimento de lucro nos próximos anos, levando o ROE para 17,1% em 2026 e 19,3% em 2027. O preço-alvo foi elevado para R$ 11,50.
BTG Pactual (BPAC11)
O Goldman manteve recomendação de compra para o BTG Pactual e elevou as estimativas de lucro para 2026 em 3%, para R$ 19,4 bilhões. O banco segue como um dos nomes preferidos do Goldman, sustentado pelo crescimento das receitas recorrentes, especialmente em crédito corporativo e gestão de recursos.
A projeção é de ROE acima de 26% em 2026 e 2027. O preço-alvo foi elevado para R$ 63, refletindo maior confiança na trajetória de resultados.
Nubank (BDR: ROXO34)
O Goldman reiterou recomendação de compra para o Nubank, destacando que, apesar das revisões positivas do consenso, ainda vê espaço para novas surpresas. O banco projeta crescimento de lucro por ação de 56% em 2026 e 34% em 2027, impulsionado pela expansão da margem financeira ajustada ao risco.
O preço-alvo foi elevado para US$ 22, com o banco negociando a múltiplos atrativos frente a pares globais de fintechs. O Goldman ressalta que a melhora operacional deve seguir como catalisador no curto prazo.
Fonte: Infomoney
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