9 de jan. de 2026
O advogado Otto Lobo foi indicado para assumir a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por fiscalizar e supervisionar o mercado de capitais brasileiro. O nome foi encaminhado ao Senado Federal e ainda depende de aprovação dos parlamentares.
Lobo integra a CVM desde 2022, quando foi indicado para a diretoria, e assumiu a presidência interina da autarquia após a renúncia de João Pedro Barroso do Nascimento, em julho de 2025. Doutor em direito pela Universidade de São Paulo (USP), o advogado tem trajetória acadêmica voltada à proteção de acionistas minoritários, credores e demais stakeholders, além de já ter atuado como conselheiro titular do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) entre 2015 e 2018.
Apesar do currículo técnico, sua indicação tem gerado apreensão no mercado financeiro. Isso ocorre em razão de decisões tomadas por Lobo durante sua passagem pela diretoria e pela presidência interina da CVM, algumas delas em divergência com pareceres da área técnica da autarquia.
Um dos episódios mais sensíveis envolve a decisão que afastou a obrigação de realização de Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelo controlador da Ambipar após aumento relevante de participação acionária. Técnicos da CVM apontaram que o controlador, o Banco Master e uma corretora teriam atuado de forma coordenada na compra de ações da companhia, o que, na avaliação técnica, configuraria a necessidade de OPA. Ainda assim, o entendimento não prevaleceu no colegiado após o voto de Lobo como presidente interino, em um desempate considerado controverso por integrantes do mercado.
Outras decisões também chamaram atenção, como votos pela absolvição de ex-dirigentes do IRB, em processo relacionado à divulgação de informações falsas ao mercado, e do ex-conselheiro da Gol Henrique Constantino, acusado de utilizar a estrutura da companhia aérea para pagamento de propina — posições que contrariaram votos da relatoria técnica.
A chegada de Lobo ao comando definitivo da CVM ocorre em um momento delicado para o órgão, que ainda conduz investigações relacionadas à crise da Americanas, considerada a maior fraude corporativa da história do país, além de processos que envolvem estruturas financeiras complexas e fundos de baixa liquidez associados ao Banco Master. Parte dessas operações é alvo de apurações do Banco Central e de investigações policiais, com indícios de irregularidades.
Também estão no radar da autarquia os desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que apura a possível infiltração do crime organizado em empresas da economia formal, incluindo conexões com o sistema financeiro.
No mercado, a principal preocupação é com a preservação do perfil técnico da CVM, historicamente reconhecida por decisões baseadas em critérios regulatórios e jurídicos. A avaliação predominante é que a condução da autarquia nos próximos anos será determinante para a credibilidade do mercado de capitais brasileiro.
Fontes: Valor Econômico e CNN Brasil
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