>
Tesouro lança hoje aplicação que funciona como ‘caixinha’ e rende mais que poupança; saiba como será
Tesouro lança hoje aplicação que funciona como ‘caixinha’ e rende mais que poupança; saiba como será

11 de mai. de 2026
Aplicação mínima do Tesouro Reserva será de R$ 1 e rendimento acompanhará a Selic. Valor poderá ser sacado a qualquer momento, e novos aportes poderão ser fetos 24 horas por dia
O Tesouro Nacional lança nesta segunda-feira, 11 de maio, o Tesouro Reserva, novo investimento que poderá ser negociado ininterruptamente 24 horas por dia. Ele é mais rentável que a tradicional caderneta de poupança e com nível de segurança semelhante, já que possui garantia da dívida soberana do país.
O investimento terá aplicação mínima de R$ 1 e o objetivo de servir de reserva para emergências. A estreia do produto será realizada hoje em evento na B3, em São Paulo. Na estreia, apenas os clientes do Banco do Brasil vão poder comprar o novo título.
Diferente da caderneta, que rende uma vez por mês, o Tesouro Reserva renderá todo dia. Esta é uma resposta do Tesouro, gestor da dívida pública, às tradicionais “caixinhas” oferecidas por fintechs e que rendem através de CDBs, títulos emitidos pelos próprios bancos e que possuem rendimentos semelhantes à Taxa Selic, hoje em 14,5% ano ano.
Segundo o então secretário do Tesouro, Rogério Ceron, hoje secretário-executivo do Ministério da Fazenda, o objetivo é que os brasileiros que não tenham familiaridade com outras aplicações ingressem no mundo dos investimentos pela plataforma. E com segurança, diz ele, lembrando da crise do Banco Master, que provocou a necessidade de socorrer milhares de investidores com recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) após a liquidação do banco:
— As pessoas fazem escolhas sem ter clareza de que há riscos associados. Quando você vê instituições que acabam não honrando títulos captados, agora a população começa a refletir sobre isso. E se não tivesse o FGC, a população ia perder o recurso? Sim, é isso o que acontece com determinadas operações. Muitas pessoas fizeram essa escolha não conscientes. E o Tesouro dialoga com essa temática — disse Ceron em fevereiro, quando o produto estava sendo desenhado.
O valor baixo de aporte para a entrada visa atingir quem não pretende carregar um investimento por prazos mais longos, como os tradicionais oferecidos pelo Tesouro, explicou Ceron na ocasião:
— É pensado justamente sobre aquele investimento que você não tem segurança de que vai precisar carregar durante todo tempo. Ele não tem oscilação de preço nem ágio, permitindo o resgate a qualquer tempo sem oscilação negativa, dor que o investidor inicial possui.
Incidência de IR
Apesar da liquidez diária, o Tesouro Reserva terá prazo de dez anos e limite máximo de investimento de R$ 500 mil por pessoa. O novo título deve ser mais rentável do que a poupança pelo menos até 2029, quando o mercado projeta Selic de 9,5% no fim do ano. Quando a taxa básica está acima de 8,5%, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a taxa de referência. Em 2025, a valorização foi de 8,26%, quase sete pontos percentuais abaixo da taxa básica de juro, de 15% ao ano.
No Tesouro Direto, num título atrelado à Selic, haveria a mesma segurança e taxa maior, mesmo com o desconto do Imposto de Renda, que varia de acordo com o tempo da aplicação mas só incide sobre os rendimentos e na hora do saque.
O novo investimento se soma à estratégia do Tesouro Nacional de popularizar os títulos da dívida nacional. No início de 2023, o Tesouro lançou o Renda+, investimento que tem prazos acima de 20 anos, com foco em complemento à aposentadoria, permitindo que o investidor planeje uma data para descansar e receber um valor extra mensal por 20 anos.
Também lançado em 2023, o Tesouro Educa+ foi lançado com foco nos pais que desejam garantir um dinheiro extra aos filhos em idade escolar, permitindo receber a renda por 60 meses após o prazo escolhido.
Todos os títulos do Tesouro destinados à pessoa física terminaram 2025 com 3,4 milhões de investidores e um volume total de R$ 213,2 bilhões. A estimativa do Tesouro é que, com o novo título, o número de aplicadores possa superar os 10 milhões.
Hoje, a pessoa física responde por apenas 2% da dívida pública federal. Desde novembro do ano passado, os estudantes do ensino médio que recebem o Pé-de-Meia, programa para evitar a evasão escolar dando subsídio mensal aos estudantes, podem escolher aplicar o valor recebido no programa.
Nova plataforma
O Tesouro Reserva será o primeiro título de uma nova plataforma, gerida pela B3 e plugada aos bancos para que correntistas possam acessá-la aproveitando a conta bancária.
Não há informações de outros bancos para além do Banco do Brasil que estarão em breve conectados ao sistema do Tesouro. Já há uma fase de desenvolvimento para também facilitar o acesso da clientela de outras instituições.
O novo investimento não terá a chamada marcação a mercado e sim renderá ao par, isto é, os títulos nunca terão oscilação negativa. Os outros títulos vendidos hoje pelo Tesouro possuem um determinado preço e uma taxa a ser alcançada apenas ao fim do prazo, mas eles podem ser vendidos antes com valor distinto do projetado no vencimento.
No meio do caminho, quando há desconfiança no mercado financeiro, as taxas aumentam, o que faz com que o preço do título caia naquele momento. Por conta dessa movimentação diária, o investidor pode ficar confuso e, em determinado dia, pode ver o título valendo menos do que ele pagou no início, ainda que tenha a remuneração esperada fixa ao fim do prazo.
A ideia do novo espaço de negociação é garantir o acesso de quem não tem disponibilidade para realizar as operações no horário atual de compras do Tesouro Direto, em dias úteis, entre 9h e 18h. A nova plataforma vai, gradualmente, inutilizar a atual, que possui restrição no horário de funcionamento, com a migração dos títulos atuais e a aderência de novas instituições financeiras acontecendo de forma paulatina.
Ainda não há prazo para toda a migração justamente por conta da marcação a mercado de outros títulos, como os atrelados à inflação, já que as taxas variam ao longo dos pregões de negociação e são fechadas às 18h.
Fonte: O Globo
Outras notícias





