21 de jan. de 2026
Banco de Brasília quer transferir contratos de empréstimos concedidos a Estados e municípios com garantia da União para levantar dinheiro rapidamente; BRB diz que medida é comum, enquanto Bradesco, Itaú e Tesouro não se manifestaram
O Banco de Brasília (BRB) negocia a venda de uma carteira de empréstimos a Estados e municípios com garantia do governo federal para os bancos Itaú e Bradesco. O banco estatal quer levantar dinheiro para cobrir possíveis prejuízos com a compra de ativos “podres” do Banco Master.
A negociação faz parte da estratégia de recomposição de capital do banco, que inclui o estudo de um possível aporte do governo do Distrito Federal.
O BRB afirmou ao Estadão que operações de cessão de carteiras são comuns no mercado financeiro e todas as medidas em avaliação, incluindo essa, “integram a gestão responsável do BRB, alinhada às normas do Banco Central e às melhores práticas de mercado.”
Procurados, Itaú, Bradesco e Tesouro Nacional não comentaram.
O BRB tem R$ 940 milhões em empréstimos garantidos pela União. O banco tenta transferir três contratos que totalizam R$ 900 milhões em financiamentos concedidos aos Estados de Pernambuco e do Pará e à prefeitura de Maceió.
Os contratos costumam ter longos prazos de pagamento e risco reduzido, pois, se os governos estaduais e municipais não pagarem, a União entra com recursos do Tesouro Nacional. O BRB, porém, busca formas de levantar dinheiro rápido e a cessão – ou seja, a venda – dos empréstimos é uma das opções.
O Banco de Brasília enviou um ofício de consulta ao Tesouro Nacional sobre a cessão dos créditos no dia 5 de janeiro, durante as negociações. O órgão do governo federal, que é avalista dos empréstimos, precisa autorizar a operação.
Segundo a proposta em negociação, o Bradesco e o Itaú entrariam de forma conjunta como cessionários, ou seja, como compradores da carteira, cada um com 50% do valor.
O BRB afirmou ao Estadão que operações de cessão de carteiras são comuns no mercado financeiro e servem “para otimizar capital, reduzir riscos e reforçar liquidez, conforme amplamente reconhecido no setor.”
Ainda segundo a instituição, todas as medidas em avaliação, inluindo essa, “integram a gestão responsável do BRB, alinhada às normas do Banco Central e às melhores práticas de mercado.”
O BRB tentou comprar o Banco Master no ano passado. A operação foi rejeitada pelo Banco Central e é investigada pela Polícia Federal. Os investigadores suspeitam de fraude na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas do Master adquiridas pelo Banco de Brasília durante as negociações.
Em acareação no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que o banco público do Distrito Federal conseguiu trocar a maior parte desses ativos com o Master, mas não conseguiu recuperar um valor de aproximadamente R$ 2 bilhões.
O aporte é uma das possibilidades em estudo no governo do DF para socorrer o BRB e cobrir possíveis prejuízos com a compra de ativos “podres” do Master. Na segunda-feira, 19, o banco estatal afirmou que estuda mecanismos para iniciar o processo de venda dos ativos recuperados junto ao Banco Master.
Além dos ativos do banco de Vorcaro, outras ações estão em estudo pelo BRB, incluindo a transferência de empréstimos concedidos a Estados e municípios para outras instituições financeiras, venda de CCBs (Cédulos de Crédito Bancário), de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e de outras carteiras oriundas do Master ou não, segundo pessoas a par das negociações.
Fonte: Estadão
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